ISG Provider Lens® Cybersecurity - Services and Solutions - Next-Gen SOC/MDR Services - Midmarket - Brazil 2026 (Portuguese)
Defesas digitais brasileiras evoluem, transformando ameaças de IA em vantagem competitiva
O estudo ISG Provider Lens™ Cybersecurity — Services and Solutions 2026 para o Brasil chega em um momento crucial e transformador para o cenário nacional de segurança cibernética. Ao revisitarmos o relatório de 2025, que abordava passos importantes na conformidade e resposta a ameaças, percebemos uma evolução importante: empresas brasileiras migram de postura reativa para visão estratégica e proativa. Neste novo panorama, a segurança não é mais percebida apenas como um custo de proteção, mas como pilar essencial para a confiança, a inovação e o crescimento sustentável do negócio, refletindo uma tendência global de posicionar a cibersegurança como um impulsionador estratégico de valor, conforme análises da ISG. Neste contexto, ferramentas avançadas de IA, como o Mythos, impulsionam a redefinição da dinâmica da segurança cibernética, ao passo que iniciativas como o Projeto Glasswing acabam sendo fruto de uma articulação global necessária e talvez mais comum de agora em diante. As modernas ferramentas que surgem com a utilização de agentes e modelos de IA, ao mesmo tempo que elevam o nível da qualidade de segurança obtido, também trazem, como toda inovação, riscos que podem ser significativos quando usadas de forma mal-intencionada e aumentará a demanda por produtos e serviços mais robustos, modernos e efetivos contra os ataques ultrassofisticados.
A urgência dessa transição pode ser sustentada por dados objetivos:
• O Brasil foi alvo de 314,8 bilhões de atividades maliciosas no primeiro semestre de 2025, representando 84% do total de ataques na América Latina e Canadá, conforme destacado pelo relatório da Fortinet;
• No setor governamental, a média atingiu 5.389 incidentes médios semanais em outubro de 2025;
• O setor financeiro registrou 76 casos classificados como graves em 2025, denotando um aumento de 29% em relação ao ano anterior.
O mercado brasileiro de cibersegurança, avaliado em US$ 5,5 bilhões em 2025 e com projeção de US$ 12,0 bilhões até 2034 (CAGR de 8,92% entre 2026 e 2034, conforme a IMARC Group, reflete essa demanda crescente. Investimentos totais somam US$ 18,6 bilhões entre 2025 e 2028 (conforme Relatório de Cibersegurança 2025: Panorama e Insights publicados, pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom)o que revela também um compromisso crescente com a segurança digital.
Contexto de mercado
O panorama da segurança cibernética no Brasil em 2026 apresenta um equilíbrio desafiador entre a digitalização acelerada e ameaças recordes, criando um ambiente distinto na região. O relatório de 2025 já sinalizava o início dessa escalada de incidentes, e o das empresas na adaptação à LGPD.
A persistência de altos volumes de ataques maliciosos na região, com predominância no Brasil, e o aumento de incidentes críticos no setor financeiro, como evidenciado pelos dados mencionados anteriormente, reforçam que há um subinvestimento em segurança (menos de 1% do PIB na América Latina, conforme dados da OEA). Tal subinvestimento tende a resultar na restrição de capacidade de respostas mais ágeis por parte das instituições. No entanto, por outro lado, podem abrir oportunidades para que soluções inovadoras sejam desenvolvidas localmente. Essa realidade, aliás, é o desafio global perpétuo, de justificar cada centavo investido em cibersegurança, especialmente quando as empresas lidam com orçamentos e equipes limitados, uma constante em diversos mercados, principalmente o brasileiro.
Mas o que diferencia o Brasil é a combinação de fatores locais e estruturais que ampliam tanto as oportunidades quanto os desafios em cibersegurança. O Pix, com mais de 3 bilhões de transações mensais, tem transformado a economia digital, mas também se tornou um alvo crescente para fraudes digitais sofisticadas. Além disso, a rápida expansão da digitalização em instituições públicas e privadas, juntamente com a adoção do 5G e a migração de serviços governamentais para plataformas como o GovCloud, tem significativamente ampliado a superfície de ataque, especialmente em setores críticos como energia, saúde e financeiro. Paralelamente, as cadeias de suprimentos fragmentadas, que frequentemente dependem de fornecedores estrangeiros, adicionam uma camada de complexidade geopolítica, demandando maior coordenação e resiliência cibernética. Apesar desses desafios, o Brasil tem avançado no amadurecimento da regulação de proteção de dados através da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e ações da ANPD. Essas medidas contribuem na uniformização de padrões de proteção, mas lacunas no monitoramento contínuo de ameaças cibernéticas ainda representam riscos consideráveis para as instituições.
Neste contexto desafiador, surgem oportunidades de mercado com profissionais e prestadores de serviços capazes de criar soluções customizadas mesmo em meio à escassez de mão de obra especializada. Essa escassez de talentos é uma preocupação global, que força as organizações a fazerem mais com menos. É um cenário que as empresas brasileiras conhecem bem.
As tendências globais são adaptadas e ressignificadas. IA, com agentes autônomos (Agentics) que executam tarefas complexas, acelera tanto ações ofensivas quanto defensivas, mas traz novos riscos na gestão de identidades não-humanas (NHIs) e comunicações entre agentes (A2A). A “Tempestade de Vulnerabilidades de IA”, por exemplo, gera exploits em tempo recorde, exigindo coordenação como a do Projeto Glasswing. Modelos como o CTEM (Continuous Threat Exposure Management) tornam-se guias práticos, enquanto conceitos como Zero Trust, microssegmentação e segurança Mesh são bases protetivas. A criptografia pós-quântica (PQC) do NIST é vital contra a computação quântica, exigindo a estratégia “Colete Agora, Descriptografe Depois”, conectadas às exigências regulatórias e aos setores financeiro e infraestrutura crítica dinâmicos, criam um terreno fértil para inovação local, onde criatividade e foco em resultados práticos superam a escassez de talentos.
Prioridades das empresas
Para as empresas brasileiras, 2026 representa o ano de transformar desafios em forças competitivas, priorizando uma estratégia integrada que une conformidade imediata, eficiência operacional e visão de futuro. Saindo do foco mais básico de 2025, as prioridades agora são holísticas: equilibrar regulamentação, dia a dia e inovação sustentável.
Ransomwares afetam 78% das organizações. A segurança em IA corporativa vai além de ferramentas defensivas: é imperativo governar riscos em aplicações GenAI (análises, automações), evitando vazamentos de dados sensíveis. Todo esse cenário se traduz em desafios bem identificados na pesquisa da ISG abaixo, mostrando a percepção da segurança como custo, orçamentos limitados e processos manuais como os principais obstáculos:
Para enfrentar esses desafios, as empresas precisam adotar duas abordagens principais: uma avaliação estratégica de alto nível seguida da otimização dos processos de segurança.
De acordo com a pesquisa ‘Cost Center No More: How to Turn Cybersecurity into a Value Driver’ da ISG, os três maiores desafios globais para transformar a cibersegurança em um valor agregado são:
1. Percepção da Segurança como Custo (50% dos entrevistados) 2. Orçamento e Talentos Limitados (30% dos entrevistados) 3. Processos Manuais e Desorganizados (20% dos entrevistados)
Estes desafios globais ressoam profundamente na realidade brasileira, reforçando a necessidade de uma abordagem estratégica. No contexto da pesquisa “Tempestade de Vulnerabilidades de IA”, os riscos se manifestam de maneira grave, incluindo a “Exploração Acelerada de Ameaças” — onde modelos de IA geram ataques rápidos e encadeados — e a “Superfície de Ataque Não Gerenciada de Agentes de IA”, conforme padrões estabelecidos pelo NIST. Este cenário exige ações práticas e imediatas: a implantação de agentes defensivos em fluxos de desenvolvimento de software e o estabelecimento de uma operação permanente de gerenciamento de vulnerabilidades. Imagine um agente de IA corporativa analisando dados de clientes: sem uma governança robusta, ele pode expor informações críticas; contudo, com checkpoints humanos e observabilidade contínua, ele se transforma em um aliado seguro e eficiente.
Essas prioridades estratégicas se materializam em frentes de ação bem definidas:
• Conformidade e governança estratégica (Serviços Estratégicos de Segurança — SSS): os SSS alinham cibersegurança à governança corporativa e gestão de riscos. Evoluem para endurecimento contínuo, incluindo PQC e governança de IA (verificações humanas contra injeções maliciosas — fundamental para o Pix). Este foco na governança e alinhamento reflete a necessidade global de uma avaliação estratégica da organização CISO, para que a segurança seja bem compreendida por departamentos não-segurança e suporte a execução de processos eficazes.
• Gestão técnica operacional (Serviços Técnicos de Segurança — TSS): os TSS integram e mantêm soluções essenciais (antivírus, segurança em nuvem, IAM, DLP, SASE). Protegem ativos no 5G e GovCloud, com ênfase em varreduras de IA e transição para criptografias quânticas. A otimização desses processos é vital, considerando que, globalmente, 60% das vítimas de violação foram por vulnerabilidades não corrigidas, e 52% se utilizam de processos manuais para esse processo.
• Monitoramento e resposta 24/7 (SOC/ MDR de Próxima Geração): Para Large Accounts grandes contas e midmarket, a prioridade é a análise suportada por IA com resultados mensuráveis, capacitando as organizações a lidar eficazmente com os milhares de ataques semanais e a respostas em velocidade de máquina contra vulnerabilidades de IA.
• Priorização de vulnerabilidades (Gerenciamento de Vulnerabilidades Baseado em Risco — RBVM): Esta abordagem contextualiza riscos pelo impacto real nos negócios, alinhado a técnicas como o CTEM. É uma estratégia vital para infraestrutura crítica onde a escassez de especialistas torna a priorização de ações um fator decisivo.
• Detecção e resposta estendida (XDR): Específico para o Brasil, integra respostas contra comunicações A2A e segurança Mesh, com inventário de superfícies de ataque, valorizando o talento local em inteligência de ameaças adaptada.
Dinâmica dos fornecedores
Fornecedores brasileiros demonstram agilidade e capacidade notável de adaptação, reajustando portfólios aos quadrantes do ISG Provider Lens ™ 2026 para demandas locais e demostrando o movimento de transição para modelos preditivos e se preparando para casos mais graves de disrupções. Essa agilidade é crucial para ajudar as empresas a otimizarem a segurança e extrair valor de seus investimentos.
Essas adaptações capacitam as empresas a enfrentarem o aumento de ataques cibernéticos por meio de parcerias que aceleram operações preditivas. A IA empresarial (governança para GenAI, ferramentas defensivas, etc.) e as alianças de defesa tendem a realçar o desenvolvimento de soluções personalizadas. A competição e elevação do patamar tecnológico, impulsionada pelas últimas inovações, recompensa o equilíbrio entre portfólio e adaptação ao contexto do mercado brasileiro.
Perspectivas
Para 2026 e além, o mercado brasileiro deve consolidar a governança de IA abrangendo agentes autônomos e GenAI, mitigando riscos (A2A, Shadow Agents). As práticas de SSS e TSS liderarão o endurecimento contra ameaças quânticas (PQC), enquanto SOC/ MDR e XDR garantirão respostas rápidas a ameaças contemporâneas.
O Brasil pode transformar os desafios cibernéticos em vantagem competitiva. Com evoluções nos quadrantes do estudo da ISG, mercado em expansão e talentos liderando a inovação, o país pode contar com empresas prestadoras de serviços que ajudam as instituições do país a se defenderem e a posicionar o Brasil como referência regional em resiliência cibernética. Mas o futuro só é promissor para quem age com visão estratégica e colaboração.
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